O mel não é “apenas açúcar”. É um alimento naturalmente complexo, feito a partir do néctar (ou melada), transformado pelas abelhas e depois amadurecido na colmeia. A sua composição explica tanto a sua textura, seu gosto, seu cristalização e as diferenças entre eles.
Este guia apresenta em pormenor os composição natural do mel de uma forma simples, fiável e útil.
A composição do mel em resumo
A composição exacta varia em função da origem floral, do terroir e da colheita. Mas na grande maioria dos casos, o mel contém :
- Açúcares naturais (principalmente frutose e glucose)
- Água (uma pequena percentagem)
- Enzimas fornecido pelas abelhas
- Ácidos orgânicos (que contribuem para o sabor e a estabilidade)
- Minerais e oligoelementos (em pequenas quantidades)
- Compostos aromáticos (responsável pelas notas florais, frutadas e amadeiradas...)
- Pólen (vestígios naturais, indicador de origem botânica)
1) Açúcares naturais: a base do mel
O mel é composto principalmente por açúcares simples (conhecidos como “monossacáridos”), o que explica o seu poder adoçante e a sua textura.
Maioritariamente açúcares
- Frutose : frequentemente mais elevado nos méis que permanecem líquidos durante mais tempo (por exemplo, o de acácia).
- Glicose mais propícios à cristalização (por exemplo, colza).
Outros açúcares presentes
Existem também pequenas quantidades de dissacáridos (como a sacarose) e açúcares mais complexos. A sua proporção depende da variedade e da maturidade.
2) Água: pouco, mas decisiva
O mel contém naturalmente água, mas apenas em quantidades limitadas. Este é um ponto essencial: quanto mais “maduro” (bem fechado) for o mel, menor será o seu teor de humidade, o que contribui para a sua boa conservação.
3) Enzimas: a “assinatura” das abelhas
Parte da riqueza do mel provém das enzimas adicionadas pelas abelhas durante a transformação do néctar. Algumas das mais conhecidas são :
- Invertase Ajuda a transformar a sacarose em glucose e frutose.
- Diastase (amilase) enzima de ocorrência natural utilizada como indicador de qualidade em determinadas análises.
- Glucose oxidase Participa nas reacções naturais do mel (dependendo das condições), influenciando certas caraterísticas do produto.
4) Ácidos orgânicos: porque é que o mel tem “relevo”?”
O mel contém ácidos orgânicos (incluindo o ácido glucónico, entre outros), que contribui para :
- o seu sabor (um pouco vivo consoante o mel),
- o seu pH naturalmente ácido,
- a sua estabilidade global.
5) Minerais, oligoelementos e vitaminas: presentes, mas em pequenas quantidades
O mel contém minerais (potássio, cálcio, magnésio...) e oligoelementos em quantidades variáveis. Em geral, os méis mais escuros contêm mais do que os méis muito claros. As vitaminas também estão presentes, mas em pequenas doses: o mel não é um “suplemento”, é antes de mais um alimento.
6) Antioxidantes, polifenóis e compostos aromáticos
São elas que conferem ao mel a sua personalidade: notas florais, frutadas, caramelizadas, amadeiradas... Contêm polifenóis e outros compostos derivados da origem botânica e do terroir. É também por este motivo que dois méis “só de flores” podem ter sabores completamente diferentes.
7) Pólen: vestígios naturais e pistas de origem
O mel contém naturalmente vestígios de pólen. Isto pode ajudar a determinar a origem botânica (dependendo da análise). Atenção: a quantidade de pólen pode variar consoante o tipo de mel e a filtração, mas só por si não é suficiente para avaliar a qualidade.
Porque é que esta composição também tem interesse para as utilizações tradicionais
A composição do mel (açúcares, baixa humidade, pH, enzimas, compostos naturais) explica porque é por vezes citado em utilizações tradicionais. Se procura uma abordagem fácil de entender a este assunto, pode consultar o nosso conteúdo dedicado : como curar uma ferida com mel. Lembre-se: um artigo informativo não substitui o conselho de um profissional de saúde, especialmente no caso de feridas grandes, infectadas ou de pessoas em risco.
Pontos importantes (segurança e bom senso)
- O mel não é recomendado para crianças com menos de 12 meses..
- A composição varia: um mel doce e claro não tem o mesmo perfil que um mel escuro e forte.
- A cristalização é um fenómeno natural, frequentemente ligado à relação glucose/frutose.
FAQ - Composição natural do mel
De que é feito o mel naturalmente?
O mel é composto principalmente por açúcares naturais (frutose e glucose), uma pequena quantidade de água, enzimas fornecidas pelas abelhas, ácidos orgânicos, minerais/oligoelementos, compostos aromáticos e vestígios de pólen. As proporções variam consoante a origem floral e a colheita.
Porque é que alguns méis cristalizam mais depressa do que outros?
A cristalização depende sobretudo do equilíbrio entre a glucose e a frutose. O mel mais rico em glucose cristaliza geralmente mais depressa, ao passo que o mel mais rico em frutose permanece frequentemente líquido durante mais tempo.
O mel contém vitaminas e minerais?
Sim, o mel contém minerais e oligoelementos (em quantidades variáveis), bem como vitaminas em pequenas doses. Acima de tudo, é um edulcorante natural, cuja riqueza depende da sua origem botânica.
O mel é constituído exclusivamente por açúcar?
Não. Os açúcares são maioritários, mas o mel contém também água, enzimas, ácidos orgânicos, minerais, compostos aromáticos e, por vezes, polifenóis. É esta matriz que explica as suas texturas e perfis de sabor.
Porque é que a composição do mel é mencionada nas utilizações tradicionais?
A sua composição (baixa humidade, pH naturalmente ácido, açúcares, enzimas e compostos naturais) explica a razão pela qual é frequentemente citado nas utilizações tradicionais. Para mais informações sobre este assunto, ver: como curar uma ferida com mel. Se tiver um problema de saúde, o melhor é aconselhar-se com um profissional.